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     Santalha é uma freguesia do concelho de Vinhais do qual dista cerca de quinze quilómetros.

As freguesias mais próximas são: Tuizelo, Pinheiro Novo, Vilar Seco de Lomba, Quirás, Edral e Montouto.

É uma povoação de origem medieval, pois ainda hoje podemos encontrar vestígios dessa época. Já nas Inquirições de D. Afonso III (1258), se faz referência à paróquia de Santalha ou de Santa Eulália de Santalha.

Esta freguesia foi sede de concelho, e foi-lhe atribuído foral pelo rei D. Diniz em 1311 e 1324. Em 1512 foi-lhe atribuído por D. Manuel, um terceiro foral.

Em 1853 deixou de ser sede de concelho, passando desde então a pertencer a Vinhais.

Em tempos não muito longínquos, Santalha chegou a ser um centro de comércio relativamente importante, pois era aqui que as aldeias da Lomba vinham abastecer-se e vender os seus produtos.

 

 

Santalha

 

 

         Lugar e freguesia do concelho e comarca de Vinhais, distrito e diocese de Bragança, está situada perto da margem esquerda do rio Rabaçal, distando cerca de 20 quilómetros da sede de concelho e tendo como anexas as aldeias de Contim, Penso e Seixas.

         A denominação de Santalha teve origem no nome da sua padroeira Santa Eulália,  como refere o ilustríssimo Padre Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal,  nas suas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, na parte dedicada à Toponímia, tomo X, pág. 152,  “ Santalha – Sancte Eolaya de Santa aala, Sancta aala e Sancta Olalha nas Inquirições tiradas pelos anos de 1258. Santalha tem como padroeira  Santa Eulália, de onde, por contracção, veio o nome à povoação.

 Carvalho (Padre António C. da Costa, Corografia Portuguesa, 1706, pág. 485) dá à padroeira o nome de Santa Olaya”.

         Segundo os historiadores, D. Dinis concedeu foral a Santalha em 1 de Fevereiro de 1311, reformado a 22 de Agosto de 1324 e D. Manuel I concedeu-lhe foral novo a 4 de Maio de 1512.

         Sabe-se que foi vila durante dezassete anos, mais precisamente de 1 de Janeiro de 1837 a 31 de Dezembro de 1853, administrando oito freguesias, que abrangiam um total de 34 aldeias.

         Documentos escritos provam-nos que Santalha era uma povoação abastada, designadamente o referido Abade de Baçal que, no tomo II das suas Memórias já citadas, pág. 345, publica uma tabela dos contributos das freguesias para o pároco, à comenda, à fábrica das igrejas e a colheita que pagavam à mitra, da qual se pode estabelecer uma comparação com o contributo de outras freguesias.

         Outra prova evidente do prestígio desta povoação é o facto de, por decreto régio de 18 de Setembro de 1850, ter sido criada a Escola Primária que veio transferida dos arrabaldes de Vilar Seco (Abade de Baçal, tomo II, pág. 386), quando, de harmonia com a densidade populacional, foram distribuídas pelo reino apenas 440.

         Não menos revelador da importância de Santalha é o facto de em 1868 se realizarem eleições de deputados, sendo o círculo de Vinhais constituído pelas seguintes assembleias de voto: Donai, Penhas Juntas, Vinhais e Santalha.

         Foi nessas eleições que se verificou o “Barulho de Santalha”, como o Abade de Baçal, na sua obra, tomo I, pág.s 223 e seguintes, tão brilhantemente descreve e que, com a devida vénia, passamos a citar:

 “A 22 de Março de 1868 fizeram-se as eleições de deputados. Pelo círculo de Vinhaes era candidato governamental Francisco Pinto Coelho de Athaíde, bacharel em direito, natural de Moimenta, d’aquele concelho, e pela oposição o bacharel, também em direito, António Joaquim da Veiga Barreira, natural de Quiraz.

         O círculo de Vinhaes era assim composto:

Assembleias

Votos do Barreira

Votos do Athaíde

Donae

297

284

Penhas Juntas

280

458

Vinhaes

262

702

Santalha

412

362

Sommas

1 251

1 806

 

                Houve protesto contra o acto eleitoral de Penhas Juntas e Vinhais. O desta última fundava-se em que não tinha havido liberdade na urna porque nos dias anteriores ao da eleição o administrador do concelho, Pedro Vicente de Morais Campilho, percorrera alguns povos daquela Assembleia acompanhado por dois homens, que  extrajudicialmente consta estarem pronunciados sem fiança, ameaçando os eleitores; que na madrugada do dia da eleição mandara ele, Campilho, depositar grande número de armas na casa-palheiro do cabo de polícia José Prada, contígua ao adro da igreja, onde havia de reunir-se a Assembleia, que o irmão do mesmo administrador, António Aníbal de Morais Campilho, primeiro oficial da Alfândega de Chaves, fora acompanhado de outros empregados esperar muitas povoações fora da vila e trazendo os eleitores incomunicáveis até à Assembleia, ali estava o administrador com grandes massos de listas, distribuindo-as abertas, à boca da urna, aos eleitores pela ordem de chamada, votando muitos indivíduos não recenseados por eleitores faltos; que se fizeram reclamações contra estes abusos, mas não foram atendidas; que o delegado da comarca, Agostinho José da Fonseca Pinto, membro da mesa eleitoral, exaltando-se, gritou que entregava ele próprio as listas assim, se o administrador o não queria fazer; que os regedores insistiam na identidade de tais pseudo-eleitores; que à contagem das listas levantaram grande tumulto e vozeria no adro da igreja e às portas da Assembleia vários empregados e agentes do administrador, armados todos de machados, paus, fouces-roçadouras e bacamartes, armando-se o próprio administrador com uma fouce-roçadoura e seu irmão com um grande facalhão; e que se deram morras à oposição, chegando o delegado da comarca a clamar em altos gritos: «Que haviam de morrer ali todos os da oposição e ainda por cima querelaria deles».

Os da Assembleia de Vinhais não quiseram receber tal protesto,  mas foi remetido à Comissão de Verificação de Poderes na Câmara de Deputados. À mesma Comissão foi enviado outro protesto contra a eleição da Assembleia de Santalha, acompanhado de um dos cadernos dos eleitores, todo manchado de sangue, que se afirmava ter sido derramado dentro da igreja da freguesia, quando se estava procedendo ao acto eleitoral, assinado por setenta e um indivíduos. Em vista destes documentos, a Comissão de Verificação de Poderes concluiu: que na eleição de Santalha houvera várias irregularidades e que o Presidente da Mesa estivera coacto por causa da exaltação dos

ânimos, da atitude insolente e das frases pouco comedidas da oposição. O acto correu tumultuariamente, houve irregularidades enormes e tanto de um como do outro lado se abusou fortemente. Eis o ofício que o Presidente da Assembleia de Santalha dirigiu no dia seguinte ao da eleição, 23 de Março, ao Presidente da Comissão do recenseamento de

Vinhais: «Então (logo em seguida ao apuramento dos votos) o bando opposicionista (gente do Barreira) prorompeu em ruidosas demonstrações contra os partidarios da auctoridade e nomeadamente contra os eleitores da freguezia de Moimenta, naturalidade do deputado governamental, e a este, a quem cobriam de chufas e improperios. Esta virolenta provocação deu causa a um terrivel conflicto: opposicionistas e governamentaes travaram ferida lucta, uns e outros invadiram o templo, onde o combate se tornou sanguinolento resultando grande numero de ferimentos e desapparecendo a urna, as listas, os cadernos das descargas e os mais documentos relativos á eleição. Os membros da mesa puderam a custo, por meio da fuga, salvar as suas vidas, e aterrados com tão tristes scenas não tornarama reunir-se».

Os da oposição exprimem-se nos seguintes termos: «Ao terminar esta irregularissima operação (a do apuramento dos votos) uma horda de selvagens de Moimenta, armados de paus ferrados e fouces-roçadouras, invadiu o templo sem respeito pela religião nem consideração pela vida dos seus concidadãos, quebrou para cima de trinta cabeças, havendo mais de cem ferimentos e muitos braços fracturados. A egreja ficou inundada de sangue, sendo ensanguentadas as toalhas e os proprios altares e sacras; imagens de santos e crucifixos foram despedaçados. A urna foi posta em estilhas no meio de vivas ao candidato Francisco Pinto Coelho de Athaide, a outros personagens da sua parcialidade e a Moimenta, interrompidos apenas por blasphemas obscenidades.

A mesa eleitoral desappareceu, não voltando a constituir-se, e os cadernos das actas e dos eleitores sumiram-se n’este abysmo de immoralidade. Portanto, não se concluiu a eleição nem se lavraram as actas...

Agora, senhores deputados, querem a prova dos attentados contra a religião do crucificado, contra a urna e contra as pessoas dos eleitores da assembleia de Santalha? Ahi esta sellada com o sangue das victimas n’esse caderno dos eleitores, n’esse rascunho dos membros da mesa, e n’essa nomeação de votos de um dos votados, que depois appareceram entre os estilhaços da urna, das cadeiras e da mesa, que servira para a

eleição. As provas espantam pelo horror, mas são claras e concludentes para mostrar aos srs. deputados como se administra e se fazem as eleições em Vinhaes».

Na participação dirigida ao procurador régio do Porto, lê-se o seguinte: «Que feita a eleição em Santalha, pelas sete horas da tarde, fora invadida a egreja de Santalha por uma grande multidão de homens armados do logar da Moimenta, havendo muitos e graves ferimentos feitos por elles, entre os quaes teve o supplicante uma perna partida, e é voz geral que esses homens de Moimenta iam ás ordens do reitor de Santalha, que é também de Moimenta, e os foi esperar fóra do povo, quando vinham armados, tendo-os todo o dia em sua casa até que votaram, e depois até á tarde, que fizeram a desordem, e que esses homens iam armados por ordem que lhes deu o regedor de mando do administrador, e sendo averiguado que esses homens eram todos pelo candidato Athaide, nem este, nem o reitor, nem outro algum dos chefes e agentes do administrador, n’esta assembleia impediu e tentou impedir esse tumulto; regressando depois os desordeiros para casa do reitor que fugiu de noite com elles» (418).

Na sessão do dia 19 de Maio de 1868, o deputado por Estremoz, Augusto César Falcão da Fonseca, disse que já representara em cortes o círculo de Vinhais. E tratando de defender os acusados, faz o elogio do Campilho, digno de todos os respeitos, ex-deputado e há dezoito anos contínuos administrador do concelho.

Acha Fonseca Pinto, delegado há mais de dez anos, superior a todas as acusações que no protesto se lhe fazem e injustas as expendidas contra o outro Campilho, primeiro oficial da Alfândega de Chaves. Do mesmo modo classifica de injustas e falsas as incriminações ao benemérito reitor da freguesia de Santalha, homem que ele conhece há

muito tempo, incapaz de praticar violência alguma, muito respeitado não só da sua freguesia mas de todos os povos circunvizinhos que têm a fortuna de o conhecer.

Relativamente ao facto de Guilherme Domingos de Penso, que protestou contra a eleição de Santalha, alegando que lhe haviam fracturado uma perna, que isso fora devido a haver subido o telhado da igreja para apedrejar os de Moimenta, de onde, resvalando, caiu.

Segundo Falcão da Fonseca, as coisas passaram-se do seguinte modo: Os eleitores de Moimenta, penúltima freguesia a votar, quando vieram para fora da igreja, ouviram algumas chufas e apodos dos contrários, que já se sabiam vitoriosos e lhe gritavam: — «Ide para a serra fazer carvão com o vosso deputado». — Estes, feridos nos seus brios tradicionais, romperam a luta.

Preza-se de ser amigo do Barreira, moço de elevada inteligência, que tem feito uma brilhante figura no foro de Bragança, e também do Ataíde, moço de muita instrução. Reconhece que o povo trasmontano é dócil, pacífico e bondoso; custa-lhe a sair, mas quando sai é de vez e deveras. Sabe ser esta a sua índole, pois tem estado muitas vezes em Trás-os-Montes e honra-se de ter costela trasmontana. É um povo, continua ele deputado, sóbrio, humilde, laborioso e paciente, mas altivo quando o deve ser.

Falou contra o deputado por Gondomar, Augusto Pinto de Miranda Montenegro. Declara não conhecer a maior parte dos acusados; que em Santalha se praticou um dos atentados mais sanguinolentos e mais revoltantes de que há memória nas eleições do país; que em Donai não se fez uso da urna costumada, mas sim de uma nova, composta de dois repartimentos próprios para a fraude, havendo previamente nela sido introduzidas pelo abade de Donai cento e tantas listas, mas com tão pouca cautela que saíam da urna aos maços, e, enquanto se fazia a contagem, apanhou o livro do recenseamento, levou-o para a sacristia, onde fez as descargas à sua vontade, e depois foi gabar-se para as ruas de Bragança destas proezas, como tudo melhor consta de um documento reconhecido pelo tabelião António Joaquim Garcia.

Mais diz que Ataíde publicou no Jornal do Porto a história desta eleição onde se assevera que os dois candidatos, andando juntos a passear, combinaram em mandar para suas casas os respectivos eleitores; que a desordem principiou ao sinal de um tiro de pistola; que o Ministro do Reino mandou proceder a uma sindicância sobre os factos desta eleição; e que o reitor de Santalha e o encomendado de Moimenta já foram suspensos (419). Por último o acto eleitoral foi mandado repetir, saindo eleito António Joaquim da Veiga Barreira.

Ainda na sessão de 20 de Agosto de 1868, o mesmo deputado Montenegro leu à Câmara uma representação de trezentos e vinte e cinco eleitores do concelho de Vinhais, queixando-se das violências que sofriam por parte da autoridade (Campilho). Diz que está nesse concelho tudo numa anarquia e que, graças ao indulto dos crimes políticos, as autoridades no distrito continuam sendo as mesmas. O Ministro da Justiça, que era então o Bispo de Viseu, declara haver recebido igual representação dirigida pelo bacharel Barreira e promete informar-se.

Pouco depois o Campilho foi demitido de administrador.

É este um dos barulhos mais célebres de que há memória nos anais eleiçoeiros ao norte do distrito de Bragança.

Os feridos passaram de cento e tantos; pernas, braços e cabeças partidas. Alguns morreram.

Na igreja tudo serviu de arma defensiva, ofensiva ou de arremesso: santos, castiçais, sacras, galhetas, cruzes dos altares, bancos, lanternas, tocheiros, mesas, etc.

Segundo nos contou o padre José Fernandes, de Vilar Seco de Lomba, então diácono, que assistiu ao acto, as coisas passaram-se assim: os dois candidatos, andando a passear, durante as horas de espera, combinaram amigavelmente em mandar para suas casas os respectivos eleitores.

Quem conhece a exaltação dos ânimos nestas ocasiões, facilmente avalia que poucos ou nenhuns obedeceriam, embora aparentemente retirassem muitos das imediações da igreja. Os de Moimenta recolheram-se em casa do seu compatrício, reitor de Santalha, que, avinhados, como é da praxe em tais ocasiões, ouviam de bom grado as exortações do reverendo relativas a fazerem vingar por bem ou à força a candidatura do seu deputado e conterrâneo.

Diz-se que muitos já traziam ou receberam em casa do padre panos e ligaduras para os prováveis ferimentos.

Terminado o escrutínio, o Barreira, vendo-se favorecido pela urna, junto da qual estava um correligionário, abraçou-o e disse-lhe: «Em  meu nome abrace os nossos amigos! Ganhamos!».

Com a rapidez do raio repercute cá fora este abraço, e a tempestade estala furiosa. Os de Moimenta bramem frementes de indignação; os que estavam dentro da igreja tentam fechar as portas, mas em vão; dezenas de estadulhos, roçadouras e paus ferrados já ficam entalados entre as duas folhas, que por último cedem aos impulsos da força indómita que os sacode e aquela turbamulta entra ululante, blasfema, sacrílega no

lugar sagrado, despedindo pancadas, facadas, tiros e socos em quem encontra. A confusão é enorme, a escuridão profunda; correligionários, amigos, irmãos, batem uns nos outros sem se conhecer!... «Ah! Ladrão que me mataste!», dizia um de Moimenta prostrado por uma facada. «É bem feita, burro de mil diabos, p’ra que falasses...».

Com muita graça, dizia o padre nosso informador, eu fiquei atrás da porta, ao irromper daquela horda de ferozes hunos, supondo que, mal o adro cessasse de golfar gente na igreja, poderia sair livremente: mas a avalanche era enorme, infinda: massas e massas de povo, irritado como vespas espicaçadas, surdiam como por encanto. Por último, um mais curioso apalpou atrás da porta e gritou: — «Quem ’stá aqui?!» «É um padre». «E d’onde?» «De Lomba». «Ah! isso é qu’eu q’eria saber...» e dizendo isto, vibrou-me tão grande cacheirada que quase me ia tombando, apesar de a aparar nos braços que ergui à laia de escudo, e desesperado com a veemência da dor, dei com tanta força nos que continuavam entrando de escantilhão que lançando alguns por terra, consegui fugir. O Barreira, alvo que os de Moimenta visavam principalmente para o matar, ficou a dever a vida à dedicação de um criado que, deitando-lhe o seu capote às costas, lhe encobriu o fato claro que então vestia por onde facilmente se distinguia, e pôde assim introduzir-se na sacristia onde escapou metido num caixão de paramentos enquanto não achou ocasião favorável para sair.

Quando depois fugia por uma cortinha abaixo, ainda encontrou um aldeão que vinha correndo munido de grosso estadulho e lhe disse sem o conhecer: «Então ainda não acabaram de matar esse patife desse Barreira?». «Lá andam, lá andam sobre ele», volveu-lhe o próprio.

Certamente em todo o período constitucional ainda no distrito de Bragança não apareceu homem que mais chegasse a entusiasmar as massas populares.

Os Barreiras e Campilhos, nomes porque se designavam os dois grupos, guerreavam-se no campo eleitoral e odiavam-se pessoalmente, sem restrições.

Mesmo nos labores agrícolas não iam uns ao serviço dos outros; não se emprestava qualquer alfaia, por insignificante que fosse, e por este teor tudo o mais.

Não ser Barreira equivalia a inimigo figadal. Algo deste rancor ainda hoje divide as massas eleitorais no concelho de Vinhais. Mesmo nos outros concelhos os rapazes nas suas lutas e rivalidades se organizavam em grupos chamados Barreiras e Campilhos. O actual pároco de Castrelos, José Tiza, ainda na sua terra natal, Varge, freguesia de Aveleda, concelho de Bragança, apesar de bem distante de Vinhais, é chamado Barreira pelos do seu tempo, em oposição aos de outro grupo chefiado por um rapaz que ficou com a alcunha de Campilho.

Enfim, a memória do Barreira dura e durará por muitos anos na lenda popular que chegou a emocionar-se, a electrizar-se, englobando nele as qualidades de um homem superior, dando-lhe as proporções de um mito de força, inteligência e habilidade!

Nestas circunstâncias a musa popular não podia deixar de o celebrar. Ao tratar do seu nome entre a Nobreza Bragançana, daremos as canções que correram nesse tempo. Agora, a título de amostra, vão as seguintes:

 

O senhor doutor Barreira

É um grande figuróte,

Nunca se viu n’esta terra

Os padres trazer bigóte.

 

O Campilho de Vinhais

’Stá sentado n’uma cadeira,

’Stá comendo, ’stá bebendo

E dando peidos p’ro Barreira.

 

O Carolino Pessanha

E o Campilho de Vinhais

Hão-de montar o Barreira

Com ’stribos e atafais.

 

Na eleição de Santalha

Houve muito que contar,

Deram um tiro na igreja

Ó Sacrário foi parar.

 

S’o Barreira for p’rás cortes

Como ’stá determinado,

Há-de ir o Pedro Campilho

C’um lato preso ó rabo.

Choravam os meninos

Que davam compaixão

Por matarem o professor

 

Que lhe dava a lição.

 

         É assim, com todo o pormenor, que nos é transmitido o que aconteceu no referido  acto eleitoral que decorreu em Santalha e o impacto que tal “barulho” teve a nível nacional.

 

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