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Santalha
Lugar e freguesia do concelho e comarca de Vinhais, distrito e
diocese de Bragança, está situada perto da margem esquerda do rio Rabaçal,
distando cerca de 20 quilómetros da sede de concelho e tendo como anexas as
aldeias de Contim, Penso e Seixas.
A denominação de Santalha teve origem no nome da sua padroeira
Santa Eulália, como refere o ilustríssimo Padre Francisco Manuel Alves, Abade
de Baçal, nas suas Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de
Bragança, na parte dedicada à Toponímia, tomo X, pág. 152,
“ Santalha – Sancte Eolaya de Santa aala, Sancta aala e
Sancta Olalha nas Inquirições tiradas pelos anos de 1258. Santalha tem como
padroeira Santa Eulália, de onde, por contracção, veio o nome à povoação.
Carvalho
(Padre
António C. da Costa, Corografia Portuguesa, 1706, pág. 485)
dá à padroeira o nome de Santa Olaya”.
Segundo os historiadores, D. Dinis concedeu foral a Santalha em 1 de
Fevereiro de 1311, reformado a 22 de Agosto de 1324 e D. Manuel I
concedeu-lhe foral novo a 4 de Maio de 1512.
Sabe-se que foi vila durante dezassete anos, mais precisamente de 1 de
Janeiro de 1837 a 31 de Dezembro de 1853, administrando oito freguesias, que
abrangiam um total de 34 aldeias.
Documentos escritos provam-nos que Santalha era uma povoação abastada,
designadamente o referido Abade de
Baçal que, no tomo II das suas Memórias já citadas, pág. 345,
publica uma tabela dos contributos das freguesias para o pároco, à comenda,
à fábrica das igrejas e a colheita que pagavam à mitra, da qual se pode
estabelecer uma comparação com o contributo de outras freguesias.
Outra prova evidente do prestígio desta povoação é o facto de, por decreto
régio de 18 de Setembro de 1850, ter sido criada a Escola Primária que veio
transferida dos arrabaldes de Vilar Seco (Abade de Baçal, tomo II, pág.
386), quando, de harmonia com a densidade populacional, foram distribuídas
pelo reino apenas 440.
Não
menos revelador da importância de Santalha é o facto de em 1868 se
realizarem eleições de deputados, sendo o círculo de Vinhais constituído
pelas seguintes assembleias de voto: Donai, Penhas Juntas, Vinhais e
Santalha.
Foi
nessas eleições que se verificou o “Barulho de Santalha”, como o Abade
de Baçal, na sua obra, tomo I, pág.s 223 e seguintes, tão
brilhantemente descreve e que, com a devida vénia, passamos a citar:
“A 22 de Março de 1868 fizeram-se
as eleições de deputados. Pelo círculo de Vinhaes era candidato
governamental Francisco Pinto Coelho de Athaíde, bacharel em direito,
natural de Moimenta, d’aquele concelho, e pela oposição o bacharel, também
em direito, António Joaquim da Veiga Barreira, natural de Quiraz.
O
círculo de Vinhaes era assim composto:
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Assembleias |
Votos do Barreira |
Votos do Athaíde |
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Donae |
297 |
284 |
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Penhas Juntas |
280 |
458 |
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Vinhaes |
262 |
702 |
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Santalha |
412 |
362 |
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Sommas |
1 251 |
1 806 |
Houve
protesto contra o acto eleitoral de Penhas Juntas e Vinhais. O desta última
fundava-se em que não tinha havido liberdade na urna porque nos dias
anteriores ao da eleição o administrador do concelho, Pedro Vicente de
Morais Campilho, percorrera alguns povos daquela Assembleia acompanhado por
dois homens, que extrajudicialmente consta estarem pronunciados sem fiança,
ameaçando os eleitores; que na madrugada do dia da eleição mandara ele,
Campilho, depositar grande número de armas na casa-palheiro do cabo de
polícia José Prada, contígua ao adro da igreja, onde havia de reunir-se a
Assembleia, que o irmão do mesmo administrador, António Aníbal de Morais
Campilho, primeiro oficial da Alfândega de Chaves, fora acompanhado de
outros empregados esperar muitas povoações fora da vila e trazendo os
eleitores incomunicáveis até à Assembleia, ali estava o administrador com
grandes massos de listas, distribuindo-as abertas, à boca da urna, aos
eleitores pela ordem de chamada, votando muitos indivíduos não recenseados
por eleitores faltos; que se fizeram reclamações contra estes abusos, mas
não foram atendidas; que o delegado da comarca, Agostinho José da Fonseca
Pinto, membro da mesa eleitoral, exaltando-se, gritou que entregava ele
próprio as listas assim, se o administrador o não queria fazer; que os
regedores insistiam na identidade de tais pseudo-eleitores; que à contagem
das listas levantaram grande tumulto e vozeria no adro da igreja e às portas
da Assembleia vários empregados e agentes do administrador, armados todos de
machados, paus, fouces-roçadouras e bacamartes, armando-se o próprio
administrador com uma fouce-roçadoura e seu irmão com um grande facalhão; e
que se deram morras à oposição, chegando o delegado da comarca a clamar em
altos gritos: «Que haviam de morrer ali todos os da oposição e ainda por
cima querelaria deles».
Os
da Assembleia de Vinhais não quiseram receber tal protesto, mas foi
remetido à Comissão de Verificação de Poderes na Câmara de Deputados. À
mesma Comissão foi enviado outro protesto contra a eleição da Assembleia de
Santalha, acompanhado de um dos cadernos dos eleitores, todo manchado de
sangue, que se afirmava ter sido derramado dentro da igreja da freguesia,
quando se estava procedendo ao acto eleitoral, assinado por setenta e um
indivíduos. Em vista destes documentos, a Comissão de Verificação de Poderes
concluiu: que na eleição de Santalha houvera várias irregularidades e que o
Presidente da Mesa estivera coacto por causa da exaltação dos
ânimos, da atitude insolente e das frases pouco comedidas da oposição. O
acto correu tumultuariamente, houve irregularidades enormes e tanto de um
como do outro lado se abusou fortemente. Eis o ofício que o Presidente da
Assembleia de Santalha dirigiu no dia seguinte ao da eleição, 23 de Março,
ao Presidente da Comissão do recenseamento de
Vinhais: «Então (logo em seguida ao apuramento dos votos) o bando
opposicionista (gente do Barreira) prorompeu em ruidosas demonstrações
contra os partidarios da auctoridade e nomeadamente contra os eleitores da
freguezia de Moimenta, naturalidade do deputado governamental, e a este, a
quem cobriam de chufas e improperios. Esta virolenta provocação deu causa a
um terrivel conflicto: opposicionistas e governamentaes travaram ferida
lucta, uns e outros invadiram o templo, onde o combate se tornou
sanguinolento resultando grande numero de ferimentos e desapparecendo a
urna, as listas, os cadernos das descargas e os mais documentos relativos á
eleição. Os membros da mesa puderam a custo, por meio da fuga, salvar as
suas vidas, e aterrados com tão tristes scenas não tornarama reunir-se».
Os da
oposição exprimem-se nos seguintes termos: «Ao terminar esta irregularissima
operação (a do apuramento dos votos) uma horda de selvagens de Moimenta,
armados de paus ferrados e fouces-roçadouras, invadiu o templo sem respeito
pela religião nem consideração pela vida dos seus concidadãos, quebrou para
cima de trinta cabeças, havendo mais de cem ferimentos e muitos braços
fracturados. A egreja ficou inundada de sangue, sendo ensanguentadas as
toalhas e os proprios altares e sacras; imagens de santos e crucifixos foram
despedaçados. A urna foi posta em estilhas no meio de vivas ao candidato
Francisco Pinto Coelho de Athaide, a outros personagens da sua parcialidade
e a Moimenta, interrompidos apenas por blasphemas obscenidades.
A mesa
eleitoral desappareceu, não voltando a constituir-se, e os cadernos das
actas e dos eleitores sumiram-se n’este abysmo de immoralidade. Portanto,
não se concluiu a eleição nem se lavraram as actas...
Agora, senhores deputados, querem a prova dos attentados contra a religião
do crucificado, contra a urna e contra as pessoas dos eleitores da
assembleia de Santalha? Ahi esta sellada com o sangue das victimas n’esse
caderno dos eleitores, n’esse rascunho dos membros da mesa, e n’essa
nomeação de votos de um dos votados, que depois appareceram entre os
estilhaços da urna, das cadeiras e da mesa, que servira para a
eleição. As provas espantam pelo horror, mas são claras e concludentes para
mostrar aos srs. deputados como se administra e se fazem as eleições em
Vinhaes».
Na
participação dirigida ao procurador régio do Porto, lê-se o seguinte: «Que
feita a eleição em Santalha, pelas sete horas da tarde, fora invadida a
egreja de Santalha por uma grande multidão de homens armados do logar da
Moimenta, havendo muitos e graves ferimentos feitos por elles, entre os
quaes teve o supplicante uma perna partida, e é voz geral que esses homens
de Moimenta iam ás ordens do reitor de Santalha, que é também de Moimenta, e
os foi esperar fóra do povo, quando vinham armados, tendo-os todo o dia em
sua casa até que votaram, e depois até á tarde, que fizeram a desordem, e
que esses homens iam armados por ordem que lhes deu o regedor de mando do
administrador, e sendo averiguado que esses homens eram todos pelo candidato
Athaide, nem este, nem o reitor, nem outro algum dos chefes e agentes do
administrador, n’esta assembleia impediu e tentou impedir esse tumulto;
regressando depois os desordeiros para casa do reitor que fugiu de noite com
elles» (418).
Na
sessão do dia 19 de Maio de 1868, o deputado por Estremoz, Augusto César
Falcão da Fonseca, disse que já representara em cortes o círculo de Vinhais.
E tratando de defender os acusados, faz o elogio do Campilho, digno de todos
os respeitos, ex-deputado e há dezoito anos contínuos administrador do
concelho.
Acha Fonseca Pinto, delegado há mais de dez anos, superior a todas as
acusações que no protesto se lhe fazem e injustas as expendidas contra o
outro Campilho, primeiro oficial da Alfândega de Chaves. Do mesmo modo
classifica de injustas e falsas as incriminações ao benemérito reitor da
freguesia de Santalha, homem que ele conhece há
muito
tempo, incapaz de praticar violência alguma, muito respeitado não só da sua
freguesia mas de todos os povos circunvizinhos que têm a fortuna de o
conhecer.
Relativamente ao facto de Guilherme Domingos de Penso, que protestou contra
a eleição de Santalha, alegando que lhe haviam fracturado uma perna, que
isso fora devido a haver subido o telhado da igreja para apedrejar os de
Moimenta, de onde, resvalando, caiu.
Segundo Falcão da Fonseca, as coisas passaram-se do seguinte modo: Os
eleitores de Moimenta, penúltima freguesia a votar, quando vieram para fora
da igreja, ouviram algumas chufas e apodos dos contrários, que já se sabiam
vitoriosos e lhe gritavam: — «Ide para a serra fazer carvão com o vosso
deputado». — Estes, feridos nos seus brios tradicionais, romperam a luta.
Preza-se de ser amigo do Barreira, moço de elevada inteligência, que tem
feito uma brilhante figura no foro de Bragança, e também do Ataíde, moço de
muita instrução. Reconhece que o povo trasmontano é dócil, pacífico e
bondoso; custa-lhe a sair, mas quando sai é de vez e deveras. Sabe ser esta
a sua índole, pois tem estado muitas vezes em Trás-os-Montes e honra-se de
ter costela trasmontana. É um povo, continua ele deputado, sóbrio, humilde,
laborioso e paciente, mas altivo quando o deve ser.
Falou contra o deputado por Gondomar, Augusto Pinto de Miranda Montenegro.
Declara não conhecer a maior parte dos acusados; que em Santalha se praticou
um dos atentados mais sanguinolentos e mais revoltantes de que há memória
nas eleições do país; que em Donai não se fez uso da urna costumada, mas sim
de uma nova, composta de dois repartimentos próprios para a fraude, havendo
previamente nela sido introduzidas pelo abade de Donai cento e tantas
listas, mas com tão pouca cautela que saíam da urna aos maços, e, enquanto
se fazia a contagem, apanhou o livro do recenseamento, levou-o para a
sacristia, onde fez as descargas à sua vontade, e depois foi gabar-se para
as ruas de Bragança destas proezas, como tudo melhor consta de um documento
reconhecido pelo tabelião António Joaquim Garcia.
Mais diz que Ataíde publicou no Jornal do Porto a história desta eleição
onde se assevera que os dois candidatos, andando juntos a passear,
combinaram em mandar para suas casas os respectivos eleitores; que a
desordem principiou ao sinal de um tiro de pistola; que o Ministro do Reino
mandou proceder a uma sindicância sobre os factos desta eleição; e que o
reitor de Santalha e o encomendado de Moimenta já foram suspensos (419). Por
último o acto eleitoral foi mandado repetir, saindo eleito António Joaquim
da Veiga Barreira.
Ainda na sessão de 20 de Agosto de 1868, o mesmo deputado Montenegro leu à
Câmara uma representação de trezentos e vinte e cinco eleitores do concelho
de Vinhais, queixando-se das violências que sofriam por parte da autoridade
(Campilho). Diz que está nesse concelho tudo numa anarquia e que, graças ao
indulto dos crimes políticos, as autoridades no distrito continuam sendo as
mesmas. O Ministro da Justiça, que era então o Bispo de Viseu, declara haver
recebido igual representação dirigida pelo bacharel Barreira e promete
informar-se.
Pouco depois o Campilho foi demitido de administrador.
É
este um dos barulhos mais célebres de que há memória nos anais eleiçoeiros
ao norte do distrito de Bragança.
Os
feridos passaram de cento e tantos; pernas, braços e cabeças partidas.
Alguns morreram.
Na
igreja tudo serviu de arma defensiva, ofensiva ou de arremesso: santos,
castiçais, sacras, galhetas, cruzes dos altares, bancos, lanternas,
tocheiros, mesas, etc.
Segundo nos contou o padre José Fernandes, de Vilar Seco de Lomba, então
diácono, que assistiu ao acto, as coisas passaram-se assim: os dois
candidatos, andando a passear, durante as horas de espera, combinaram
amigavelmente em mandar para suas casas os respectivos eleitores.
Quem conhece a exaltação dos ânimos nestas ocasiões, facilmente avalia que
poucos ou nenhuns obedeceriam, embora aparentemente retirassem muitos das
imediações da igreja. Os de Moimenta recolheram-se em casa do seu
compatrício, reitor de Santalha, que, avinhados, como é da praxe em tais
ocasiões, ouviam de bom grado as exortações do reverendo relativas a fazerem
vingar por bem ou à força a candidatura do seu deputado e conterrâneo.
Diz-se que muitos já traziam ou receberam em casa do padre panos e ligaduras
para os prováveis ferimentos.
Terminado o escrutínio, o Barreira, vendo-se favorecido pela urna, junto da
qual estava um correligionário, abraçou-o e disse-lhe: «Em meu nome abrace
os nossos amigos! Ganhamos!».
Com
a rapidez do raio repercute cá fora este abraço, e a tempestade estala
furiosa. Os de Moimenta bramem frementes de indignação; os que estavam
dentro da igreja tentam fechar as portas, mas em vão; dezenas de estadulhos,
roçadouras e paus ferrados já ficam entalados entre as duas folhas, que por
último cedem aos impulsos da força indómita que os sacode e aquela
turbamulta entra ululante, blasfema, sacrílega no
lugar
sagrado, despedindo pancadas, facadas, tiros e socos em quem encontra. A
confusão é enorme, a escuridão profunda; correligionários, amigos, irmãos,
batem uns nos outros sem se conhecer!... «Ah! Ladrão que me mataste!», dizia
um de Moimenta prostrado por uma facada. «É bem feita, burro de mil diabos,
p’ra que falasses...».
Com
muita graça, dizia o padre nosso informador, eu fiquei atrás da porta, ao
irromper daquela horda de ferozes hunos, supondo que, mal o adro cessasse de
golfar gente na igreja, poderia sair livremente: mas a avalanche era enorme,
infinda: massas e massas de povo, irritado como vespas espicaçadas, surdiam
como por encanto. Por último, um mais curioso apalpou atrás da porta e
gritou: — «Quem ’stá aqui?!» «É um padre». «E d’onde?» «De Lomba». «Ah! isso
é qu’eu q’eria saber...» e dizendo isto, vibrou-me tão grande cacheirada que
quase me ia tombando, apesar de a aparar nos braços que ergui à laia de
escudo, e desesperado com a veemência da dor, dei com tanta força nos que
continuavam entrando de escantilhão que lançando alguns por terra, consegui
fugir. O Barreira, alvo que os de Moimenta visavam principalmente para o
matar, ficou a dever a vida à dedicação de um criado que, deitando-lhe o seu
capote às costas, lhe encobriu o fato claro que então vestia por onde
facilmente se distinguia, e pôde assim introduzir-se na sacristia onde
escapou metido num caixão de paramentos enquanto não achou ocasião favorável
para sair.
Quando depois fugia por uma cortinha abaixo, ainda encontrou um aldeão que
vinha correndo munido de grosso estadulho e lhe disse sem o conhecer: «Então
ainda não acabaram de matar esse patife desse Barreira?». «Lá andam, lá
andam sobre ele», volveu-lhe o próprio.
Certamente em todo o período constitucional ainda no distrito de Bragança
não apareceu homem que mais chegasse a entusiasmar as massas populares.
Os
Barreiras e Campilhos, nomes porque se designavam os dois grupos,
guerreavam-se no campo eleitoral e odiavam-se pessoalmente, sem restrições.
Mesmo nos labores agrícolas não iam uns ao serviço dos outros; não se
emprestava qualquer alfaia, por insignificante que fosse, e por este teor
tudo o mais.
Não
ser Barreira equivalia a inimigo figadal. Algo deste rancor ainda hoje
divide as massas eleitorais no concelho de Vinhais. Mesmo nos outros
concelhos os rapazes nas suas lutas e rivalidades se organizavam em grupos
chamados Barreiras e Campilhos. O actual pároco de Castrelos, José Tiza,
ainda na sua terra natal, Varge, freguesia de Aveleda, concelho de Bragança,
apesar de bem distante de Vinhais, é chamado Barreira pelos do seu tempo, em
oposição aos de outro grupo chefiado por um rapaz que ficou com a alcunha de
Campilho.
Enfim, a memória do Barreira dura e durará por muitos anos na lenda popular
que chegou a emocionar-se, a electrizar-se, englobando nele as qualidades de
um homem superior, dando-lhe as proporções de um mito de força, inteligência
e habilidade!
Nestas
circunstâncias a musa popular não podia deixar de o celebrar. Ao tratar do
seu nome entre a Nobreza Bragançana, daremos as canções que correram nesse
tempo. Agora, a título de amostra, vão as seguintes:
O
senhor doutor Barreira
É um
grande figuróte,
Nunca
se viu n’esta terra
Os
padres trazer bigóte.
O
Campilho de Vinhais
’Stá
sentado n’uma cadeira,
’Stá
comendo, ’stá bebendo
E
dando peidos p’ro Barreira.
O
Carolino Pessanha
E o
Campilho de Vinhais
Hão-de
montar o Barreira
Com
’stribos e atafais.
Na
eleição de Santalha
Houve
muito que contar,
Deram
um tiro na igreja
Ó
Sacrário foi parar.
S’o
Barreira for p’rás cortes
Como
’stá determinado,
Há-de
ir o Pedro Campilho
C’um
lato preso ó rabo.
Choravam os meninos
Que
davam compaixão
Por
matarem o professor
Que
lhe dava a lição.
É
assim, com todo o pormenor, que nos é transmitido o que aconteceu no
referido acto eleitoral que decorreu em Santalha e o impacto que tal “barulho”
teve a nível nacional.
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